quarta-feira, 12 de abril de 2023

DINHEIRO ACHADO sempre é bem-vindo! OU NÃO?

E nos tempos atuais, ALELUIA!, multiplica, Senhor, etc e tal...
Porém, EU, nem no passado e nem no presente TENHO SORTE de encontrar uma bolada (seja pequena ou grande) de bobeira pelas calçadas - tanto é que desde a era do REAL, sequer encontrei algo além de 50 centavos - muitos deles dentro dos próprios bolsos.
mas então...
ONTEM estava eu dentro do supermercado do bairro quando reparei que no pé da bancada das verduras descansava lindamente uma NOTA DE 100 REAIS - zeradinha e brilhante - esperando o primeiro abençoada pegar.
Moleza... mas ao meu redor, tinha uma penca de pessoas, inclusive eu estava trocando ideias com o cara que abastecia as cebolas quando me dei conta. Do meu lado, uma gorda escolhendo tomates, do outro um carrinho estacionado com uma família de 4 (dois adultos e duas crianças - uma delas tinha uns 11 anos) conversando sobre a vida enquanto apertava os maracujás.
E agora, Jesus?! 100 CONTO. 100 CONTINHO!

É meu! É meu! É meu... e acabou sendo.
Fiz o golpe do joelho coçando, depois passei pra canela, ajeitei a chinela e PÁ! OS 100 CONTO já estavam no bolso daquele que sorria feliz e bem-aventurado com a contemplação!
MAS NECAS!
Dois quarteirões depois de sair do recinto, meto a mão no bolso pra beijar a nota E REPARO QUE ELA NÃO PASSAVA DE UMA DESSAS PROPAGANDAS DE IGREJAS EVANGÉLICAS - que imprime DINHEIRO apenas em uma banda - enquanto que a outra é composta por convocações do tipo "DEUS TEM UM PLANO PRA SUA VIDA"....
Hummmmmmmmmmmm....
Ok, sem mais comentários, eu apenas respondi (baixinho).
Plano? Meu plano acabou de ir pras CUCUIAS!
*SUEI pra nada!! kkk


Todas 

OLHA O GÁÁÁÁS!

 Pra mim, morar na PERIFERIA sempre foi maravilhoso demais!!!

Sempre fui do contato humano, dos gritos e risadas, dos bichos e plantas, do chão de terra aqui, do calçamento esburacado acolá. Do pouco asfalto que vive em obras devido aos córregos que teimam em resistir. Morar na periferia é usufruir das bodegas que nunca fecham, da verdureira que passa todo santo dia, do carro do ovo, do pão, dos salgados... é o lu
gar onde a molecada nunca dorme e as padarias vendem de tudo. Aliás, basta uma padaria, assim como uma farmácia, um bom lugar pra comer panelada (ou buchada) bem feita e, claro, aquele mercantil de bairro que, apesar de apertado, tem tudo pra que você não precise se deslocar pras vizinhanças - e até mesmo pro Centro da cidade, pra tornar a periferia um lugar perfeito pra se viver.
PORÉMMMMM.... solicitar UM BOTIJÃO DE GÁS é por demais foda. Fodastico. Fodaço! Único estresse em relação aos confins de uma cidade/capital.
Acabou o gás, se prepara pois é um dia perdido só esperando o cabra chegar com a moto e o dito cujo. E não chega, e não vem, e não aparece. Não Importa quantas distribuidoras existam no pedaço. E sempre tem mais que qualquer outra coisa...
Mas...
— Rapaz, cadê tu?
— Tô chegando meu patrão! Já tô aqui na curva da jumenta.
E nada de aparecer. E o sujeito feito besta abrindo e fechando o portão pra poder receber o safado.
Safado, sim. Sem-vergonha e ainda por cima enrolador. KKK
Malaca, cheio de nove horas, tampando um buraco e descobrindo outro... ou simplesmente preguiçoso mesmo. Se faz de doido e só entrega quando bem quer.
Conheço um entregador de gás que xavecava a vizinha, enquanto a moto (lotada de botijão) ficava encostada na calçada. Ele chegava umas 2 da tarde e saia a tardinha, quase escuro... todo santo dia! Como é que pode? Pensava eu!
Dia desses, liguei cobrando um pedido e o cara falou:
(outro entregador, outra distribuidora)
— Opa, tô aqui em frente a academia, mas não acho sua rua não....
A rua ficava a uns 10 metros.
— Pois perai que vou tô indo te pegar. Fica aí
E então ele se revelou:
— Não, não... na verdade eu ainda tô chegando. Tô aqui perto do canal.
— Canal? O único canal que conheço fica a uns 15 quarteirões daqui! Tu tá onde mesmo?
— Alô? Qual o nome mesmo do seu bairro? E fica em qual conjunto? Confere aí sua rua... Pode mandar a localização...
— Meu amigo, ja mandei essa localização umas mil vezes.
— Aguarde ai, meu patrão. Tô indo é agora.
E assim vai levando e levando. E o mais engraçado é que virou rotina. Se normalizou e, atualmente, todo mundo tem mais medo de pedir o gás do que ver ele acabando no meio do almoço.
Acabou o gás? PQP... é mesmo que tirar o dia pra resolver bucho numa lotérica ou banco.
Tem que ter paciência e virtude nesse dia tão especial.
KKKK
Periferia é tudo!

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Camisa gola polo!

De todos os tipos de roupas masculinas que existem neste mundo,
a que eu mais odeio, sem sombra de dúvida, é a camisa gola polo. 

Além de ser extremamente quente, uma camisa gola pólo absorve
com bem mais fúria tudo que é de creme, spray antitranspirante e 
desodorante "rolom" antes de o dia acabar.
Quer desconforto pior do que começar a feder em pleno trabalho?
Toda camisa gola pólo costuma fazer com que as bactérias caguem adiantado
e isso traz desconforto, vergonha e indignação.
Segue mais duas coisas terríveis que são comuns pra quem veste gola polo,
além daquela terrível sensação de que a camisa está cheia de areia
(pinicando pra caralho):

1) Realizar dois compromissos por dia usando uma única camisa gola pólo.
Pode acreditar, no segundo compromisso a vontade de tomar banho é surreal.
2) Pegar respingos de chuva vestido com uma gola polo. Meu amigo! 
Depois que ela seca no corpo, ao contrário de qualquer camiseta de algodão, 
que fica "apenas" com um cheirinho de cachorro molhado, a gola pólo consegue 
feder à cachorro molhado, à sofá de cemitério e à cueca de caminhoneiro, 
tudo de uma vez ao mesmo tempo agora. Gola pólo é osso!

O mais engraçado é que nunca faltou uma camisa gola polo no meu guarda-roupa.
Por mais que eu não queira ou que eu não compre que nem camisas de bandas ou
de personagens de quadrinhos, a gola polo é essencial quando o caso é ir ao
banco ou participar de alguma reunião com clientes... É que a gola polo, por mais 
que seja chata e insuportável, tem lá seu respeito. A sociedade considera como 
"camisa de gente" (ouvi muito isso da minha Mãe) e é uma das primeiras opções
quando o quesito é "dar presentes". Apesar de ser a roupa que menos comprei, 
foi a que mais ganhei ao longo do tempo. 

Só a Sílmia, minha esposa, têm 3 grandes sobrinhos dinossauros que adoram
gola polo. Basta um deles organizar o guarda-roupa pra eu ganhar um monte delas.
Sem soar como um mal agradecido, mas foi com um desses mimos que passei, 
há 7, 8 anos anos atrás, um dos maiores sufocos da minha vida.  História tosca, 
azarada e estrambólica... Reparem só:

Eu ainda morava no Parque Manibura e as vezes costumava ir para 
o Jornal O POVO através do Terminal do Papicu. Nesse dia, por incrível que
pareça, eu não tinha nada pra vestir a não ser uma gola polo que havia ganhado 
de aniversário. Não lembro se da minha Mãe ou da minha ex-sogra, mas sei 
que já fazia quase um ano que ela estava guardada. Uma gola pólo branca com 
algumas listras azul e verde. Nova e cheirosa dentro do saco.

Desci no Terminal da Messejana por volta das 11 da manhã. 
Por ironia do destino, eu levava na mochila minha carteira de trabalho pra ser 
atualizada no RH. Detalhe: dificilmente ando com RG ou qualquer outro documento,
já que os perdi tantas vezes na vida que passei a deixá-los em casa e enfrentar
o mundo de cara limpa. Então... entrei no Messejana-Centro que já estava lotado 
e me escorei na porta do meio. Daí o ônibus seguiu seu caminho, mas por algum
motivo não saiu do Terminal. Ele parou no meio do trajeto e ficou lá por 2, 3, 4 minutos 
até que, de repente, o veículo começou a ser cercado por vários guardas municipais.
A porta do meio é aberta. Primeiro desce uma mulher chorando pra em seguida um
dos guardas gritar: 
— Quem tiver com uma camisa gola pólo branca, por favor, desça do veículo!
Ele falou a um metro de distância de mim, já que eu estava na porta do meio.
Caralho! Mas como assim? Lógico que desci... totalmente desorientado enquanto
tudo que era de passageiro olhava pra mim. Na pista de paralelepípedos
5 ou 6 guardinhas me cercavam com direito a um deles (uma mulher, por sinal)
apontando um revolver de choque pro meu rosto. 
Distancia de meio metro - era amarelo e bonito.
— Peraí! O que está havendo?
— Esta senhora aqui disse que roubaram o celular dela dentro do ônibus. 
E a pessoa que roubou tá com uma camisa igual a sua.
— Comequié? Como assim? Igual como? Era eu, por acaso? 
Senhora, eu roubei você? Responda pra todo mundo aqui... Senhora...
Não adiantava perguntar nada! A senhora continuava chorando e sequer 
levantava a cabeça pra me reconhecer como "autor do crime".
Fudeu! Na altura do campeonato, quanto mais eu dava dois passos pra trás, 
a mulher com o revolver de choque dava dois pulinhos na minha direção. 
Com a porra do revolver no meu rosto. Ridículo. 
Enquanto isso, o ônibus continuava parado, o terminal inteiro assistia 
a situação e mais ônibus buzinavam pra descongestionar a pista.
Foi aí que lembrei da Carteira do Trabalho que estava na mochila. 
Só que antes de explicar metade do que queria, a mesma mulher do 
revólver toma a Carteira da minha mão como se ela fosse a grande 
pica grossa da porra toda! E era!
Plateia assistindo, ônibus parado, mulher chorando e todos 
os guardas fazendo 300 perguntas ao mesmo tempo...
— Que merda isso vai dar? -  Pensei. Até que alguém gritou lá de dentro 
do ônibus que tinha outra pessoa vestida com uma gola polo branca! PQP!
Eis que desce um sujeito de bermuda, descalço, mochila nas costas e, SIM, 
uma camisa gola polo IDÊNTICA a minha. Apesar da coitada já ter passado 
da validade de ir pro lixo (suja, encardida e esfolada) era igual, igual, igual e igual... 
Problema foi resolvido?
Calma. Antes ainda tive a honra de ficar ao lado do sujeito pra que 
a vítima apontasse quem lhe roubou. Aí foi minha última gota d'água.
— Senhora! Quem lhe roubou foi eu ou ele aqui? Responda agora ou eu 
vou ter que tomar as providências mediante a empresa que trabalho. Pronto!
Quando meu limite de paciência atingiu o ápice a ponto de mencionar 
"empresa que trabalho", passei a ser mais respeitado diante da situação. 
Imaginem só:ameaça, racismo, preconceito, constrangimento, vergonha... 
já estava demais pro meu dia. 

Retornei ao ônibus com um misto de alívio e arraso (explicando
repetidas vezes o que tinha acontecido), enquanto que o ladrão do celular 
(o aparelho foi encontrado dentro da sua mochila) acabou sendo escoltado
sabe lá Deus pra onde... Coitado!
É que, apesar dele ter me colocado em um rabo de foguete dos Infernos, 
o miserável, não passava de mais uma vítima da maldição das camisas 
golas polo (além de vítima do sistema). Uma maldição que apesar de 
trazer gastura, desconforto, calor e tantas outras aporrinhações, é campeã 
disparada no quesito "peça de roupa mais copiada do universo". 
Aí é putaria demais, Batman!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Stan Lee além da conta

Comecei a ler Turma da Mônica e Marvel simultaneamente.
Eu tinha 8 anos de idade e o ano era 1986. Lembro que, naquela
época, meu sonho era morar dentro de uma banca de revistas. Tudo
por conta do imenso fascínio que ela trazia. Desenhos, mundos, cores,
formas e traços... tudo isso mexia com a minha imaginação. E dentre 
tantas coisas intrigantes uma era justamente o nome de Stan Lee. 
"Stan Lee apresenta..." o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico, 
o Demolidor, os X-Mens, o Conan, o Hulk, o Motoqueiro Fantasma, 
o Surfista Prateado, a Tropa Alfa, o Justiceiro, os Vingadores... 
Ufa! Caramba! Esse cara deve ser o dono da parada toda! 

E mais: Eu era pivete, mas sabia plenamente distinguir uma 
coisa da outra. Ou seja, enquanto Maurício de Souza assinava 
injustamente tudo sem desenhar uma linha sequer, Stan Lee fazia 
questão de ser aquele cara organizador que exibia orgulhosamente 
o seu produto a cada história. Que legal era ler, antes de cada HQ, 
um personagem qualquer sendo apresentado por ele como "formidável", 
"espetacular", "fabuloso", "incrível" ou "fantástico".  A mesma coisa para 
os artistas. Esses, verdadeiros heróis da Marvel. Lee criou um legado 
que forçou, público, leitores e amantes da nona arte, por décadas 
e décadas, a decorar os nomes daqueles que passavam pela editora.
De Joe Kubert à Frank Miller, de Marc Silvestri a Mike Deodato, de 
Jim Lee a Joe Buscema, de Joe Bennett a Jack Kirby... Além de roteiro, 
cores, letras e etc... Todo mundo era uma família e toda essa família virou 
história. DC Comics não era nada. Marvel era Stan Lee e ponto final. 

E, assim, tantas e tantas histórias foram se tornando clássicos e clássicos
até, merecidamente, que chegaram aos cinemas. De lá pra cá também, 
de menino apaixonado por quadrinhos virei cartunista profissional fazedor 
de quadrinhos. 
Atualmente, de todos os grandes homens que contribuíram pra esse feito 
(como Robert Crumb, Angeli, Marcatti, Milo Manara ou Walt Disney), 
Stan Lee foi o mais unânime, preciso e formidável além da conta. 
Uma verdadeira lenda viva. Uma lenda que, apesar de ter trabalhado 
a vida inteira com seres imaginários (ao contrário de Maurício de Souza), 
me deu a maior de todas as influências no mundo das HQs. 

A de ser um ser humano sensato! 

Nota do autor: Crônica feita exclusivamente para o Jornal O POVO

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Manga, goiaba e caju

As vezes me pego pensando no quanto perdi o tesão em comer 
manga, goiaba e caju. Tesão, vontade, desejo, ansia... 
chame do que quiser. O fato é que nasci e me criei em um bairro
da periferia que mais parecia um pedaço do interior cearense.

Por pouco não fui vizinho da casa José de Alencar.
Ali próximo da Oliveira Paiva. Avenida que lembro bem
era representada apenas por um fio de asfalto com cara de calçamento. 
Pois bem, entre os anos de 1986 e 1998, precisamente, comi tanta manga, 
goiaba e caju que enjoei. Meu bairro? O Parque Manibura. 
Naquela época uma espécie de sítio gigantesco com vários quintais dentro. 
Mistura exorbitante de caatinga nordestina com os últimos vestígios da
mata atlântica. Pra se ter uma ideia, eu abria a porta da cozinha da minha 
casa e dava de cara com uma floresta. Nada de brenhas simples ou terreno 
com matas locais... Tô falando de floresta, floresta mesmo! Com copas de 
árvores tampando o céu, galhos alinhados com cipós de todas
as grossuras e muitas plantas exóticas. Animais? 
Diariamente eu via morcegos, aranhas, periquitos, borboletas, centopeias,
lacraias, soins, macacos (sim, macacos!) cobras, pássaros (de todas as cores), 
preás (de todos os tamanhos), caracóis, iguanas, lagartos, coelhos (sim, coelhos!),
besouros, gafanhotos, corujas, raposas, gatos do mato, gambás e diversas lagartas.
Todas coloridas e bem peludas. 
No meio disso tudo, as famigeradas árvores frutíferas.

Além de manga, goiaba e caju, havia murici, cajá, cajarana, sirigüela, 
azeitona preta (jamelão!), maracujá do mato, banana, abacate, melancia,
melão, tangerina, pitomba, jenipapo, limão do mato, tomate, pitanga, romã,
ata, coco, coco babão, puçá, fruta de pau-pombo, mamão, melão do caetano,
tamarindo e graviola... Ufa! Porém, de todas elas, manga, goiaba e caju 
foram as que mais comi. Comi tanto, meu amigo, que atualmente acho 
inadmissível (e irônico) entrar em um supermercado pra comprar qualquer
uma das três.
Ainda mais quando esses Pão de Açúcar da vida têm apenas 2 ou 3 tipos
de manga pra oferecer. Obrigado! Nos meus 13, 14 anos eu tinha à minha 
disposição (e de graça) todos os tipos deste mundo: Rosa, jasmim,
itamaracá, manguita, espada, azeda, roxa, coité, pingo de ouro, caroçuda,
BRANCA... caralho, a manga branca era branca mesmo! Nada de carne
vermelha ou amarelo ouro. E era uma delícia.

Foram muitas as emoções que senti ao acertar uma pedra (ou chinela)
naquela manga que parecia ter amadurecido exclusivamente pra mim. 
Primeiro eu a avistava "divez". Ali paradinha em um galho. Só eu sabia
e mais ninguém. Dois dias depois, tcharãm, eu ia lá e, PUM, já era. 
A mesma coisa pra goiaba. Muitas das vezes, disputei com a molecada
quem acertava um cacho precioso há 5, 6 metros de altura. Era uma
farra só e, no final das contas, o felizardo sempre acabava dividindo 
geral com a galera. Quente, fria, com bicho ou sem bicho. Goiaba boa
era aquela dos terrenos alheios e ponto final.

E independente de qualquer pé dessas frutas, eu costumava subir 
numa facilidade incrível e mais incrível era o meu medo por altura que 
não existia. Adorava subir até o mais alto galho de uma mangueira só 
pra ficar horas e horas apreciando, há quilômetros de distância, 
as virgens dunas do Beach Park. Subia e descia que nem um calango, 
pois eu não era essa lagartixa barriguda de agora. Huahuhuauha... 

Aliás, o que perdi em questão de bravura, ganhei em quesito imunidade. 
Já que atualmente dificilmente adoeço e quando adoeço saro logo. 
Tudo porque passei a infância/adolescência com 80% do meu sangue 
composto por um coquetel de frutas naturais. Tiro, porrada e bomba.

Foram muitas as vezes em que troquei um prato de comida por
2 quilos de carne de manga. A mesma coisa pra goiaba e caju. 
Caju, perdi foi as contas de quantos comi direto do pé, sem quebrar
o talo nem pegar com as mãos. Mais uma das muitas brincadeiras de moleque.
Assim como  aguentar comer a manga mais quente do sol, plena 1 hora da tarde, 
ou comer quantas manguitas (mangas do tamanho de uma laranja) fossem possíveis.
Cada aposta saudável.. tsi, tsi...

Manga de manhã, manga no almoço, manga de tarde, manga de noite. 
Manga com farinha, com sal, com leite ou açúcar... 
Com o passar dos anos, e como todo maldito progresso que se preze, 
as árvores do Parque Manibura foram sumindo uma por uma pra dar 
lugar à escolas, condomínios e casas de 1 milhão de reais. 
O que antes era conhecido como lotes e lotes de área verde, agora
é vendido por metro quadrado. Um dos mais caro de Fortaleza.
Triste. Duas coisas vão embora depois que a gente fica velho. Nossa 
coragem pra encarar alturas e as árvores de nossa infância.

Enfim, resolvi tocar nesses assuntos porque dia desses estava no
centro da cidade prestes a almoçar em um desses restaurantes em
que um copo de suco vem de brinde com o prato. De repente,
a garçonete encosta em minha mesa e  pergunta:
— O senhor vai querer suco de quê? Temos Manga, goiaba e caju!
—  O quê? Voltei imediatamente no tempo!!!
O que é melhor, senti naquele instante um misto de saudade, nostalgia,
solidão, lembranças, euforia e satisfação... 
E o tal tesão de longas datas, as melhores que já tive, voltou! 

Quer saber? Traga um copo de manga pra eu almoçar e, por fora,
um copo de goiaba e outro de caju.
— Eita! Ela respondeu... e antes de entrar sorrindo pra cozinha completou:
 — Pra quê tudo isso?
Respondi: 
— É que hoje eu tô com vontade de relembrar o mundo!

DETALHE: Não troco refrigerante por nada! Bebo quase todo dia 
e tenho prazer imenso por isso. Tudo porque vivi em uma era
totalmente ecológica, onde mães e tias farriam jarras de suco ao
invés de gastar dezenas de cruzeiros em vários "refrescos do capeta". 
Bom, na verdade, em 1989 refrigerante era coisa chique... Não
era um item básico numa cesta básica de pobre. Eu mesmo,
só passei a ter o privilégio de tomar refrigerante comprado com
meu dinheiro aos 16, 17 anos de idade...

Mas daí, é outra história. ;)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O GIGANTE ACORDOU!

Pois bem!  
Coitado, não conseguia mais dormir com tanta anarquia bem na frente 
do seu quarto. Barulho de bombas, sirenes e helicópteros...
Na TV havia gente cantando o Hino Nacional de trás pra frente
e em seguida o Galvão Bueno abortando enquanto pernas de pau
fingiam jogar bola.
Porra é essa, pensou!
Ele estava atordoado e fulo da vida. Azedo, trêmulo, com pressão baixa.
Sim. Ontem foi dia de promoção na birosca cult bacaninha da vez.
Então o gigante exagerou nas famigeradas Heinekens. Cerveja premier
que dizem ser feita de mijo de unicórnio com palha de bananeira. 
Foram muitos likes no Instagram. Sempre na companhia de fulminantes
porções de croquetes de beringela fritas em uma caçarola comprada 
em algum bazar da Turquia. Uou!

São 1 e 45 da tarde.
Primeiro o gigante tirou o pijama do Homem de Ferro, depois
bebeu Água Fresh e comeu um último Polenguinho da geladeira. 

O gigante andou cambaleando pelo corredor da casa e rumou 
em direção a sacada do apê (um sonho realizado a partir de 
uma entrada na Caixa Econômica com mais 648 suaves prestações). 
Ele queria entender o que diabos acontecia lá embaixo. Bocejou,
coçou o olho, afastou uma das cadeiras de bambu e indagou:
— Peraí! Na TV diz que uma ruma de gente está depredando as repartições 
e ateando fogo nas ruas sem motivos aparente. Mas o que eu realmente
observo daqui de cima é uma passeata fervorosa onde vários cartazes 
reivindicam coisas que tornaria esse meu país uma maravilha de se morar. 

Sim! Tem uns e outros que clamam por asneiras do tipo
"Quero plano pré-pago que não foda com o meu bolso" ou 
"O país só vai pra frente se o Faustão calar a boca". 

O gigante ficou confuso. Sim, ele tentou ouvir Arnaldo Jabor, Pelé, Romário, 
Alexandre frota, Anitta, Danilo Gentilli, Tico Santa Cruz, William Bonner 
e os economistas da Globo, mas acabou se ariando mais ainda! 
Nem Silvio Santos foi capaz de esclarecer tamanha situação.

O gigante se atolou de memes até o pescoço. Suou feito GIF e
se desesperou como um FAKE NEWS. Foda. Uma situação tensa 
como essa só quando o gelo do bar do Festival Garota VIP acabou 
antes mesmo do Safadão subir no palco. É guerra!

Pra tentar tirar conclusões mais precipitadas, resta pro gigante 
apenas esperar pelos melhores lances no Youtube.
Logo após a Marina Ruy Barbosa fazer seu cosplay de sereia 
pra roubar um carro.
Até lá, o gigante vai continuar atordoado, empachado e esgotado.

Então, ele resolveu dormir de novo!

Nota do editor: Essa crônica feita em 2013,
mas totalmente reformulada pro blog.



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Coisas de Terminal

Sou o tipo de pessoa que não se importa em passar por um terminal de ônibus.
Aliás, dou é o maior valor quando um cambão desembarca e, de relance, fico
observando aquela multidão de formigas humanas caminhando desesperadas
pra tudo que é direção. De onde elas vêm? Pra onde elas vão? 
Trabalho, casa, praia, balada, hospital, vadiagem, cabaré, shopping, motel,
restaurante, barzinho, teatro, delegacia, presídio ou fórum? 
Não é a toa que 80% das ideias que já tive, até hoje, todas foram em
contato com ônibus. O transporte unânime do povão.

Então lá vão eles. Alguns se batendo, outros rindo ou cantando, outros bufando, 
outros se lamentando, praguejando, assoprando, discutindo, contando
segredos da vida ou contando moedas pra encarar o famigerado enrolado 
de salsicha com suco de cajá. Ou quem sabe um fulminante copo descartável 
com sopa de galinha requentada pela sexta vez. Que aventura.

Créditos no celular, meia carteira de cigarros, fone de ouvido, 
aspirina e bolo de cenoura. Fumantes e não fumantes.
Viciados em Wi-fi, bandoleiros, trabalhadores, mães de família, 
evangélicas e vadias. Camelôs, ambulantes, pivetes, palhaços, 
bombados e trombadinhas. Malandros, alcoólatras, policiais
paisanos, atletas e fardados mundanos. 
Água pra passar o calor ou pipoca pra enganar a fome.
Uma coisa é certa. Todo mundo saiu de um destino pra chegar em outro. 
O Terminal é apenas uma ponte.

Tem coisa mais eletrizante do que perder um ônibus olhando pra ele?
Tipo, saindo do Terminal devagarinho, devagarinho, como se falasse:
— Se deu mal, hein? Outro só daqui a meia hora, quarenta minutos ou
quem sabe de acordo com a boa vontade do dirigidor. Hein? Bom, se
eu estiver com pressa, lascou. A menos que eu use a criatividade e 
o desespero pra encontrar uma saída imediata. Tipo, pegar um genérico
que, ao menos, me leve o mais próximo do caminho aonde pretendo chegar.
Se não... Sem galho. 

Ficarei aqui de bobeira novamente. Colhendo referências e inspirações.
Detalhes e modas. Cores e insultos. Assim como quem não quer nada...
encostado numa plataforma cheia de chiclete grudado, marcas de dedo com
maionese e recados do tipo "Solange galinha, você vai pagar caro!".

De todos os terminais, o que mais frequento atualmente é o da Messejana.
Do Terminal da Parangaba sinto saudade do caldo de mocotó. 
Maravilhosamente bem preparado e temperado pelo último box sentido
Shopping - Maraponga. 
Do Terminal do Siqueira sinto Adrenalina. 
Do Antônio Bezerra? Calafrios.
Do Conj. Ceará? Solidão.

Porém, houve uma época (desde a sua inauguração até 2013)
que o - tcharãm -Terminal do Papicu fez parte da minha vida de com força! 

O Terminal do Papicu sempre foi lindo de morrer e ao mesmo tempo
trash, cavernoso, suicida, porra-loca... 
Que nem os lanches saborosos e explosivos que existem por lá.
Que nem os caixas eletrônicos suspeitos e sinistros que existem por lá.
Que nem os banheiros fantasmagóricos e fedidos que existem por lá.
Que nem a mente daquele executivo "cabeça de porco" que tá com 
carro na oficina e, por isso, se treme de medo ao enfrentar o amaldiçoado
Terminal pra poder chegar ao escritório. Como é lindo olhar pra sua cara
de bosta desconfiado e apreensivo. Como se a qualquer momento alguém
chegasse pra lhe dar uma facada. KKK

Sim... que nem as barriguinhas das ninfetinhas que vão e vêm da fila do
Caça & Pesca (rota da praia) - como se aquilo fosse uma disputa pra ver
quem perturba mais o meu juízo.
Porém, nem só de fadas vive o Terminal do Papicú.
Modéstia à parte (e por viver encrostado entre o luxo e o lixo), 
são inúmeras as raças de duendes, gnomos, ogros, bruxas, feiticeiros,
elfos e dragões que por ali passam. Seres da mitologia Celta, Germânica,
medieval e Senhor dos Anéis ao montes em plena Regional 2 de Fortaleza.
No Terminal do Papicú tem sim, senhor! 

E de noite? Nunca será a azia, o arrependimento, o cansaço e a boca seca 
de tanto arrotar cachaça pelos inferninhos da vida que mudará a minha opinião 
em dizer que o Terminal do Papicu sempre será a 8ª maravilha da cidade. \o/

Bons tempos. Neguinho voltava dos shows na Praia do Futuro 
(Planet Hemp, O Rappa, Raimundos, Charlie Brown Jr....), 
idos de 1997, 1998, e emburacava no Papicú afim de pegar 
aquele ônibus Corujão dirigido pelos anjos.
— Me leve pra casa da Mamãe, pelo Amor de Deus!!!
SQN, jovem! Pois o primeiro Corujão que aparecia sempre 
chegava junto com o sol nascendo. Gente indo pra escola, 
gente indo trabalhar, gente tirando remela dos olhos e gente
assoprando um café coado no fundo da cueca do fiscal.

Oxente! Quantos caldos de ovo com soja não inteirei, com meus amigos, 
com os derradeiros niqueis que nos sobravam?
Quantos cagaços (broncas) não levei, com meus amigos, dos guardinhas 
xaropes, metidos á gostosões das cocotas, por cochilar teimosamente
(esticado e folgado) nos bancos imundos?
Jogar porrinha com pedaços de canudo? Peidar na boca pra atiçar as 
periguetes que estavam voltando dos forrós tão mazeladas quanto a gente?
Lavar a cabeça nas torneiras escondido do zelador? Eu mesmo perdi as
contas de quantas azias tive enquanto esperava o dia amanhecer no 
Terminal do Papicu.

Uma vez, a galera tentava retornar dessa mesma Praia do Futuro 
totalmente espremida na porta do meio. Esperando a hora de desembarcar.
Peso monstro. Empurra, empurra desgraçado. Eis que, assim que a porta abre, 
cai coisa de 20 meliantes com o rabo no chão.
Detalhe: todo mundo segurando o ferro com as mãos.
Sim, um daqueles ferros que faz parte do esqueleto do ônibus "descolocou" 
por conta de tamanha desgraça humana (Prááá!!!) indo ao chão pra delírio 
das poucas testemunhas que por ali se encontravam.
De menos.

Outra vez, dezenas de policiais invadiram o Papicu às 3 da manhã
em busca de... Tcharãm! Meio litro de cana que esses mesmos meliantes
haviam colocado pra dentro! É proibido? É... Por isso tratamos de esconder
dentro da sacola de palha de uma cigana. A verdade é que ninguém
estava bebendo naquele ambiente familiar. Quer dizer, AINDA NÃO. 
Apesar da cachaça ter sido uma sobra, ou um resto de parto,ou um chorinho
de algum esquema incompleto (estávamos voltando pra casa), ela serviria pra
esquentar geral assim que uma imprevisível chuva começasse a chibatear o local.

Na hora de pegar de volta, não deu outra.
— Água que passarinho não bebe? 
Tragam um copo aqui pra tia aqui, senão eu não reparto com ninguém.
Mais. 
A velhinha ainda curtia Led Zeppelin, sacava Rage Against the Machine
e, segunda a própria, já havia pegado na mão da Janis Joplin.

Pois é. Coisas de Terminal.

Nota de autor: Essa crônica foi feita em 2012, 
mas totalmente reformulada pro BLOG.



BICHOS DA NOITE!

Dizem que NOVA YORK é uma cidade que não dorme.  PUFF! (peidando na boca!) --- não vou nem tão longe, meu caro! Já estive em São Paulo e, po...